segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dilatação dos milhões

Gestores da Águas de Portugal custam 8,3 Milhões de euros por ano. Pouco dinheiro se pensarmos que é para dividir entre amigos. Não há dinheiro que pague a amizade e a camaradagem. Parece que são 374 "confrades" o que dá cerca de 22.192 euros ao ano (a cada um). Mais uma vez, não é muito, se percebermos que um país que se afunda precisa de quem saiba gerir volumes. 
E sim, são nomeados pela administração, que com certeza terá em conta não só o currículo de cada um, mas principalmente a habilidade que se tem para lamber partes íntimas e solas de calçado. Tudo debaixo de água, feito em apneia. Mais do mesmo. 
No tempo de Sócrates meio mundo ficava doido com estes mecanismos de compadrio. Para "mudar velhos hábitos" surgiu a corja atual. Mas mudar par quê, se é assim que se fazem as coisas. "Eu cuido de mim, se puder dou-te uma mãozinha, já que me safaste naquela vez, lembras-te?. Assim comemos, mergulhamos e nadamos todos no mesmo caldo, na mesma sopa..."

...pena que não esturrica de uma vez por todas...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Dilatação da espera (3)

                                                                            tarde
toda e de tudo e de tanto
traste.

tímpano tapado e trémulo

tépido,
tempo trocado e temeroso.
túmulo:
tampa toca telúrica

da

morte,
monte do monstro e da maldade
mescla
a mão da mãe no mar

espera:
especulando o épico. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dilatação da espera (2)

Há forças conspiradoras que esmagam, com igual grau de destruição, tanto o escaravelho como o elefante. O tempo e a energia que vem de dentro do tempo passado na parte de fora dos dias. A fricção.
O escaravelho pequeno que queria ter existido antes do tempo. O elefante que se vê à janela do próprio tempo. Há forças conspiradoras que esmagam a dita energia que vem, em proporção, da parte de trás dos anos que não se viveram. A restante fica sentada.

Velocidade que corta.

Tempo que mata. Tempo contra o qual não se pode lutar. Tempo de nada.

Dilatação da espera

a besta espera...
            pára... não avança.

A besta é um animal que vive à mercê. Fecha-se na gruta até o ar estar respirável.
            e pára e não avança...

Vive à mercê do tempo dos outros...

A besta é triste em porções de tempo!

Dilatação do bolor

3 ideias


"Os fortes aspiram a separar-se e os fracos a unir-se"
Nietzsche
A miséria humana cresce diariamente e assume proporções catastróficas. Seguidores, "lambe botas", acéfalos, somam-se ao mofo, tacanho, pequeno poder. Todos os dias o mesmo "não ser" ou "ser nada".
----------


Os medíocres: os que de nada vivem e para nada vão.
"Talvez haja neles como que um secreto impulso de egoísmo, que os leva a tiranizar a tal ponto os seus contemporâneos e a considerar que só eles podem determinar o que deve ou não ser criticado. É a sua quota-parte de mediocridade; esta fraqueza fá-los por vezes desempenhar um papel ridículo e indigno da consideração a que conquistaram direito."
Eugène Delacroix
-----------


Quem manda manda mal. Nem manda no seu quintal.
Quem obedece é fraco. Não tem cor, nem luz... é opaco!
Unem-se em nebulosa de bolor, conspirando sobre o amor
De quem desobedece e cria rupturas.
Quem ama e pensa dá-se mal com o jeito bolorento de mandar das "leveduras".
Quem sente e ama
Estará condenado a esta trama?

O amor vencerá!

"Que sempre existam almas para as quais o amor seja também o contacto de duas poesias, a convergência de dois devaneios"
Gaston Bachelard 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dilatação da Vingança


27
As mulheres sempre foram mais
minuciosas na vingança — disse Bloom. Folheiam-na
sem saltar uma página. E tratam das unhas
antes de pegar no machado.
Pelo contrário, um homem com raiva
e ressentimento é atabalhoado, desastrado,
incapaz de encontrar a pronúncia perfeita da violência,

28
como se pegasse em ferramentas
despropositadas: a charrua
para arrancar uma flor,
o martelo para ver mais perto.

Gonçalo M. Tavares, in "Uma Viagem à Índia"


Duas ideias inquietantes:
1) As mulheres preparam o corte, enquanto os homens perdem o norte.
2) A coluna dorsal já foi uma ferramenta importante. Hoje parece ser algo despropositado.

Dilatação Profissional

(atualmente) "Confunde-se trabalho interdisciplinar com sobreposição de saberes e práticas. Nestas circunstâncias chega-se a considerar que o psicólogo é desnecessário ou, então, aparece subalternizado nalguns serviços".
Almeida, L. S. - Jornal de Psicologia, 1989, 8, 5, 22-24.

Este era um argumento de luta pela valorização da classe profissional.
2012 e esta merda persiste...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dilatação da Felicidade


Philip Larkin - Janelas Altas

Quando vejo um casal de miúdos
E percebo que ele a anda a foder e ela
Usa um diafragma ou toma a pílula
Sei que isto é o paraíso

Com que os velhos sonharam toda a vida —
Compromissos e gestos postos de lado
Que nem debulhadora fora de moda,
E toda a gente nova a descer pelo escorrega,

Interminavelmente, para a felicidade. Será
Que alguém olhou para mim, há quarenta anos,
E pensou: Isso é que vai ser boa vida;
Nada de Deus, ou de suores nocturnos,

Ou medo do inferno, ou ter de esconder
Do padre aquilo em que se pensa. Ele
E a malta dele, c’um raio, hão-de ir todos pelo escorrega
Abaixo, livres que nem pássaros? E de imediato,

Em vez de palavras, vêm-me à ideia janelas altas:
O vidro que acolhe o sol, e mais além
O ar azul e profundo, que não revela
Nada e está em lado nenhum e não tem fim.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Evidência dilatada


Quem não possui ou não viu x ou y está "fora"...
["partilhar sapiências" por "pessoas que não chegaram a sair do secundário"] = tornar-se notável!

O "pós-festividades" chega a ser pior que um pós-guerra...

Dilatação Desabrigada

Não tem casa...
Família e amigos?
No facebook terá certamente.
Montou a "sua casa" num hotspot e apanha wi-fi de graça!
Estranhos os tempos que correm... 

Dilatação do Futuro

2012: data a temer? Há cinema e televisão de ficção científica que nos mostram o fim dos tempos, cheio de cataclismos, sofrimento e dor... e jornadas meio ridículas para salvar um amigo... ou um familiar... enquanto o mundo se desfaz, ou arde, o congela, ou padece de uma doença viral...
2012: data a temer?
Não; isto ainda vai duraaaaaaaaaar. De acordo com a ficção científica safamo-nos sempre... em melhor ou em pior forma, a coisa lá vai andando; E o alívio que é saber que, pelo menos no ano 3001988 há um ser humano!
(dúvida: este número tão grande de anos atinge-se contando o ano 0 desde que nasceu o menino "das palhinhas" ou será que eles fizeram batota e começaram a contar antes...)




via