E o pouco sabido é que a guerra ao longe rebenta aqui dentro.
E quando entra, sem esperarmos, o dia (dos outros) por cima da cabeça, fumando?
A luz acende e repara-se que é de noite. Está escuro quando não se compreendem idas e vindas ou se seguram dores que não estão, de facto, nos ossos. Pode padecer-se de uma não doença? Como se arranha o céu da boca quando o que se bochecha é o marulhar dos dias (dos outros)?
Quando pára de doer uma coisa que não é dor?
Sobre o pouco que se sabe... Sobra o muito que não se conhece; o muito que fica, sem idas nem vindas. A luz acende e os ossos arranham no centro dos músculos... Ossos no fundo do estômago.
E quando entra a noite por baixo dos pés e o frio gela a paz em volta dos olhos... Como se consegue percorrer esse caminho, distância imensa entre o caminhar sobre o que se vê e o olhar por onde se anda?
Volvidos vinte(?) minutos no relógio
Estômago em ira tranquilizado...
Quando se pára de amar algo que só se sabe Amar? - Nunca.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra - invento para ti a música, a loucura
e o mar.
(O Amor em Visita - Herberto Helder)
... será esse o problema de tudo o que se multiplica e espalha... dentro, fora, à volta... multiplica-se em sentir mas tolda a razão... pouco se sabe mas muito se sente?
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